Garantir que a sustentabilidade seja construída com democracia participativa, valorização da diversidade cultural e preservação da biodiversidade.
Os primeiros passos para chegar ao que hoje representa uma história de lutas e realizaçóes em defesa da natureza foram dados nos anos de 1996 e 1997, quando Maurício Ruiz, Leonardo Marques e Daltron Peixoto, amigos que viviam na cidade de Miguel Pereira, costumavam percorrer, obstinados, longas trilhas nos arredores da Reserva Biológica do Tinguá. Sem lançar mão de aparelhos, bússolas ou mapas, faziam-nas desse modo, muitas vezes viravam dias, por pura paixão pela floresta.
Em meados de 1997, Maurício e seu pai, Carlos Frederico, o Calico, conheceram Cuba e Amazônia durante a produção de um documentário sobre a vida e obra do Poeta Thiago de Mello. Essas duas experiências permitiram-lhe absorver os ventos frutíferos do socialismo e da ecologia. De todo modo, o que mais marcou o então adolescente de 15 anos foi uma conversa, com o poeta amazonense, conhecido internacionalmente por sua luta em favor dos direitos humanos, da ecologia e da paz mundial. Durante um percurso noturno de barco pelo Rio Andirá, cujas águas estáticas azuladas, quase negras, fazem-se de espelho para a imensidão estrelada do céu da Amazônia, proporcionando a sensação de estar navegando sobre o mesmo céu que o cobre, Maurício percebeu a grandiosidade da Floresta Amazônica, cujo tamanho lhe pareceu interminável. Nâo pôde deixar de pensar nas matas que rodeavam sua cidade e chegou à conclusão de que a Mata Atlântica, como ele conhecia, era pequena demais face a sua importãncia. Havia sobrado quase nada.
Maurício contou a Thiago de Mello sobre a exuberãncia da Reserva Biológica do Tinguá, perguntando a ele como poderia contribuir para protegê-la. Thiago ressaltou que as Florestas Amazônica e Atlântica são irmãs e que ele poderia tentar desenvolver projetos para sua conservação, oferecendo, para isso, total apoio.
Após dois meses com Thiago na Amazônia, pai e filho retornaram para Miguel Pereira, onde, juntamente com Leonardo e Daltro, os companheiros de trilhas, passaram a se informar sobre o que era necessário para desenvolver tais projetos. Descobriram que era preciso a criação de uma Organização Não Governamental e passaram então a pesquisar sobre o que é, como funciona e quais eram as ONGs da região. Ficaram cerca de três meses debruçados sobre estatutos até, finalmente, criarem a própria instituição. Dessa forma, no dia 07 de janeiro de 1998, estava fundado o Instituto Terra de Preservação Ambiental.
Como Calico era diretor de vídeo, possuindo todo um know how em comunicação e administra&ccdil;ão de empresas, o mesmo ajudou bastante no desenvolvimento de uma identidade visual e de uma política institucional. Assim, uma das primeiras ações do Instituto foi fazer contato com diversas ONGs espalhadas pelo Brasil, solicitando projetos, informações e apoio. Logo foi enviada uma infinidade de material, o que deu embasamento para reunir pessoas interessadas do município de Miguel Pereira.
Os primeiros projetos desenvolvidos, de caráter extremamente voluntário, tratavam de educação ambiental e eram direcionados à Reserva Biológica do Tinguá. Ao longo do tempo, com a criação e execução de novos projetos, a ONG começou ganhar corpo profissional, estruturando-se e formando equipes multidisciplinares, aumentando assim sua missão e dilatando as áreas de atuação. Vale lembrar que o Instituto Terra fez sua história através de mobilizações, de questionamentos e, sobretudo, a partir de proposiç&oatilde;es efetivas e de execução de projetos, buscando preconizar o trabalho em parcerias, prestigiando sempre a forma&ção de redes integradas.
Hoje, as atividades do Instituto alcançam treze municípios no estado do Rio de Janeiro, beneficiando diretamente cerca de 80 mil pessoas, através dos projetos que estão em andamento. A partir de ações nas áreas de conservação da biodiversidade, desenvolvimento local, agenda 21, RSA, gerenciamento costeiro e mudanças climáticas, a equipe do Instituto Terra continua, obstinada, na constru&ccdil;ão de um planeta diverso e justo socialmente.
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Relatório sobre os 10 anos de luta do Instituto Terra conta passo-a-passo a nossa trajetória institucional. No seu conteúdo pode ser encontrado o histórico da Instituição, bem como a lista de ações data-a-data, com seus projetos já concluídos, em andamento e futuros, apresentando todos os resultados obtidos. Tudo dividido em ambientes e ilustrado. O relatório está disponível para download ou leitura, no link abaixo: